Advertisements

 
 Jornal
PolíticaCongresso
15/02/2018 às 19h50
Senador protocola pedido de CPI da privatização da Eletrobras
Por Fabio Murakawa | Valor
BRASÍLIA  –  O senador Hélio José (Pros-DF) protocolou um pedido de criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito CPI) para apurar a privatização da Eletrobras. No documento, ele alega estar solicitando a abertura da CPI “com o objetivo de investigar possíveis favorecimentos a empresários a partir do acesso a informação privilegiada, bem como irregularidades de agentes públicos nos atos relativos à privatização da Eletrobras”.
Para a CPI ser criada, é preciso que o pedido seja lido em plenário e tenha o apoio de ao menos 27 senadores. Segundo informações da Mesa do Senado, o pedido protocolado pelo senador tinha 40 assinaturas.
Hélio José afirma no pedido que *Paulo Pedrosa, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, “tem agido de forma a favorecer um grupo em detrimento do processo isento de desinvestimento da estatal”. Ele não especifica qual seria esse grupo.*
*Cita ainda Oscar Alfredo Salomão Filho, ex-assistente da Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da Eletrobras, que tem “ligação com grupos empresariais interessados no processo de venda pode comprometer os interesses da União”. Salomão saiu da empresa no ano passado, após uma ordem judicial que determinou a exoneração de todos os funcionários comissionados, e hoje ocupa o cargo de presidente da Eletropar, uma subsidiária da Eletrobras.*
*Em setembro, o site “Brasil 247” divulgou reportagem colocando Oscar Salomão como “agente oculto da privatização”. O texto dizia que ele estaria “agindo em defesa da Equatorial Energia, grupo privado ligado ao bilionário Jorge Paulo Lemann”.*
A reportagem motivou a Eletrobras a emitir um comunicado ao mercado em que afirma que “o processo de privatização da Eletrobras holding, até este momento, não está sob responsabilidade da Eletrobras, portanto, não teve envolvimento do Sr. Oscar Salomão”. No documento, a empresa afirma que “diante do exposto verifica-se que não havia qualquer fato relevante que necessitasse ser objeto de Fato Relevante ou Comunicado ao Mercado”.
Para Hélio José, entretanto, fica clara “a ação de um seleto grupo com acesso a informação privilegiada, dentro do próprio Ministério de Minas e Energia, que pode comprometer os interesses do país em detrimento de ganhos para grupos empresariais privados”. “Basicamente, são autoridades públicas que devem ser investigadas para que não reste dúvida quanto à lisura do processo de desmonte do setor elétrico que vem sendo implementado”, afirma José.
http://mobile.valor.com.br/node/5324883


Em matéria veiculada no dia 11/02/2018 no jornal O Estado de São Paulo, o presidente da Eletrobras Wilson Pinto Jr., disse ter pressa em privatizar a empresa: “A pressa é um capricho que a gente tem de ter” e que dorme “toda noite com uma dívida de R$ 1 milhão”. ( http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,durmo-toda-noite-com-uma-divida-de-r-1-milhao,70002185772.amp
É sintomático que a grande mídia ainda dê credibilidade a um homem que há um ano dizia em todas as suas aparições públicas ser totalmente contrário à privatização da Eletrobras. E ainda defendia que o Estado precisava de um agente como a empresa para apoiar na regulação do Setor Elétrico Brasileiro.
Mas a pressa que Wilson Pinto Jr tem para privatizar a empresa não se dá por dívida ou pressão financeira abrupta. Recentemente a Eletrobras reduziu seu endividamento pela metade em relação à sua geração de caixa e caminha para números ainda mais promissores graças aos esforços de sua força de trabalho. Nos últimos anos os números são tão favoráveis que a empresa coleciona superávits. Em 2016 obteve um lucro de R$ 3,2 bi, um resultado que tende a se repetir em 2017.
A pressa de Wilson e de todo governo se dá porque se houver discussão, caso se aprofunde na análise dos números e dados de fato, teremos um número muito grande de formadores de opinião contrários à privatização da Eletrobras, não só pelo que a empresa presente em todos os estados da federação representa para o Brasil, mas também pela conjuntura mundial onde nenhum país sério privatiza infraestrutura. A pressa faz com que se queira vender a Eletrobras de qualquer jeito, custe o que custar. Mas será que isso é bom para o Brasil?
Convenhamos que se o presidente da Eletrobras estivesse tão preocupado com as dívidas da empresa, não estaria contratando tantas consultorias a peso de ouro e com dispensa de licitação. Para privatizar a Eletrobras na mídia, ele gastou R$ 2 milhões para um contrato com a famosa FSB. Já para investigações que visavam “se antecipar” à operação Lava Jato, pagou R$ 400 milhões à Hogan Lovels que apurou “desvios” menores que o valor de sua contratação. Só aí já estamos falando de mais de 400 noites de sono.
Mas o que deveria tirar o sono de um CEO de verdade são só as cifras com as quais ele parece não estar muito preocupado? Não. Para quem tem consciência dos seus atos, o travesseiro pesa quando existe ressaca moral. O atual presidente da Eletrobras foi o único de toda a história quase sexagenária da empresa que foi denunciado e advertido pela Comissão de Ética da Presidência da República em episódio lastimável quando chamou os trabalhadores da Eletrobras de vagabundos. Qualquer executivo com alguma consciência já teria pedido para sair, pois perdeu o respeito e a confiança de sua força de trabalho. Mas este não é o caso de Pinto Jr. que se acha acima do bem e do mal e a única coisa que realmente lhe tira o sono é o tempo que passa, mas o tempo é o senhor da razão onde dorme-se o sono dos justos.
Fonte: Empregados do Grupo  Eletrobras (via e-mail)

Pouca gente deve saber, mas na penúltima semana de fevereiro logo após as festas momescas o saudoso Sintergia-RJ que já foi o maior sindicato de eletricitários do Brasil, findará seu “processo eleitoral”. Pode parecer piada, mas em um momento de privatização, Reforma da Previdência e outras maldades assolando os trabalhadores, vem a eleição. E a chapa homologada pela Comissão Eleitoral (?) é a mesma de hoje, de ontem e de anteontem: a tal Chapa 1.

Mas uma coisa que todos devem saber é que confusão eleitoral no Sintergia não vem de hoje. Vem de ontem, de anteontem. As eleições de 2006, 2010, 2014 foram todas parar na justiça e a última chegou a ser anulada pela juíza da 65ª Vara do Trabalho. Depois de muita confusão, com instauração de comissão paritária com interventor, a atual direção recuperou o comando.

Agora, por determinação judicial, teremos mais um processo eleitoral. O Sintergia passou anos sem prestar contas. No ano passado resolveu fazer uma “assembleia” relâmpago para um “presta contas” proforma mais maquiado que madame dos anos 30 e que nunca escondeu o que todo mundo já sabe: o sindicato está quebrado. Fala-se em números que passam dos 40 milhões de reais em dívidas de todas as naturezas.

A dívida financeira da entidade é bem alta e só não supera a dívida moral. Essa aí é a verdadeira massa falida. As últimas gestões do Sintergia estão sempre com o mesmo grupo que tem em seu núcleo duro a turma da Light. E este é o grupo que forma a tal Chapa 1. E as acusações a este grupo são das mais variadas. Assédio e perseguição aos trabalhadores (há quem diga que pedem a cabeça de quem ousa fazer oposição), acordos coletivos rebaixados e acordos judiciais diminuídos, conchavos com direções de empresas, dilapidação do patrimônio, assédio aos empregados do sindicato, falência do Colégio 1º de Maio e perda do convênio histórico com o CEFET, abandono de trabalhadores no piquete, manipulação de assembleias e abaixo assinados.

A pergunta que qualquer trabalhador médio desinformado faz é sempre a mesma: se são tão ruins, como se perpetuam? A resposta é complexa. Há todo um trabalho forte de manutenção no “poder”. O primeiro desafio para fazer uma chapa é descobrir 50 trabalhadores sindicalizados. Depois convencê-los a encarar esta roubada que é lutar contra quem deveria te defender, mas te ameaça e ainda, assumir uma instituição falida moral e financeiramente. A lista de associados é o “último segredo de Fátima”, ninguém além da situação tem acesso e sem isso fica ainda mais difícil montar chapa, pedir voto. Outra coisa óbvia. Se o sindicato é ruim, a adesão da base é baixíssima. Enquanto teve imposto sindical, essa tática sempre funcionou. Não se dependia das mensalidades e era mais fácil fazer curral.

Com todas estas dificuldades já expostas, a “Oposição Democrática” fez uma chapa e inscreveu ao pleito. Subitamente, 6 contratados de Furnas que faziam parte da chapa de oposição renunciaram à candidatura. Há graves suspeitas de assédio, pressão e coação. Outro escândalo é a não aceitação dos pagamentos dos associados remidos. Figuras históricas como Gonzaga, Sônia Latgé, Celia. A comissão eleitoral como Pilatos, impugnou a chapa de oposição. E agora? Os mesmos de sempre como chapa única.

A impugnação da Chapa 2 Oposição Democrática é mais um golpe no combalido Sintergia. Moralmente todos os lados deviam ter maturidade de propor uma disputa justa, leal e transparente com pelo menos duas chapas para que o Sintergia pudesse ter esperanças de um recomeço digno.

Hoje a oposição reivindica participar do processo e o pedido é justo. O Ministério Público tem que ser arrolado na causa. O histórico por si só já condena o comando de hoje. A oposição tem que persistir. A ordem é fazer eleições em todas as assembleias de acordo coletivo. Precisamos ouvir a base que se nega pagar 1% do seu salário por nada. E ao trabalhador médio? Não há nada que se possa fazer, a não ser sindicalizar-se em massa para exercer o direito de oposição. Ou andaremos em círculos até perdermos as pernas de vez. E este dia está cada vez mais próximo. Infelizmente.

(Fonte: recebido por email) 

O Globo de 05/02/2017.

A ação citada faz parte da assessoria jurídica contratada extraordinariamente pelos empregados.

http://m.folha.uol.com.br/mercado/2018/01/1950251-governo-nao-faz-analise-ampla-para-privatizar-diz-economista.shtml